Gravação caseira...
CIDADE
Você vai com tudo
e o jarro é vazio,
mais leve que a força.
O seu grito aflito
atinge o vazio,
não tem quem o ouça.
Não é o que explode,
o que derrama o caldo,
a careta, a carranca.
É o eco oco,
estátua no salto,
o que não ouve e estanca.
Há gente que é cinza,
da cor da cidade,
cão sarnento e rato.
Você também pisa.
Há impunidade,
fuga no barato.
Falta de respeito,
de identidade,
falta de desejo.
Não há indivíduo,
nem comunidade,
eu já nem te vejo.
Longe, existe um coro,
vozes animais,
lamentos, gemidos.
São as nossas vozes.
São nossos iguais,
nossos inimigos.
Cadê cada um?
Cadê todos nós
nessa miscelânia?
Pára com essa história,
corta a cena fora.
Foto instantânea!
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